segunda-feira, 25 de maio de 2015

A nova era dos ônibus

25/05/2015 - O Globo

LUIS ANTONIO LINDAU

Há décadas as cidades entregaram suas ruas aos automóveis. Hoje sofrem com o congestionamento crônico, fruto desse grande equívoco no planejamento urbano. Agora, as cidades estão revendo o modelo e transferindo o protagonismo para o transporte coletivo, já que uma faixa dedicada ao ônibus pode transportar até dez vezes mais pessoas que uma faixa utilizada pelo automóvel.

Medidas prioritárias para o ônibus aumentam a produtividade do sistema, baixam os custos operacionais, reduzem os tempos de deslocamento e trazem maior pontualidade, além de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e diminuir a poluição local.

O site BRTdata.org revela esta nova tendência ao mapear cerca de cinco mil quilômetros de corredores prioritários ao ônibus em 190 cidades do mundo. A plataforma indica um aumento exponencial a partir da virada do milênio, quando Bogotá inaugurou uma nova era dos BRTs, ao possibilitar a operação de serviços convencionais e expressos e reduzir pela metade o tempo de viagem. A capital colombiana investe em BRT desde 2000; hoje, são 11 corredores, que levam mais de 2,2 milhões de passageiros todos os dias. O transporte de alta qualidade e desempenho, que inclui sistemas BRT (Bus Rapid Transit) e BHLS (Bus with High Level of Service), como são chamados na Europa, proporciona uma alternativa rápida, segura, confiável e acessível para a mobilidade urbana.

O Brasil é o país com a maior extensão de corredores de ônibus. São mais de 840 quilômetros, em 34 cidades, que atendem a 12 milhões de usuários por dia. A cidade de Curitiba foi a pioneira no Brasil, iniciou a implantação de corredores de ônibus em 1974 e agora conta com seis corredores BRT, que totalizam 81,5 quilômetros.

A inauguração de sistemas BRT no Rio, Belo Horizonte, Brasília e os mais de 200 projetos de sistemas prioritários ao ônibus em andamento apontam para uma novo momento do transporte coletivo sobre pneus.

Na China, o crescimento na última década foi o mais acelerado, o número de corredores passou de dois para 33. Paris, Madri e Amsterdã estão entre as 56 cidades da Europa com sistemas prioritários ao ônibus. Desde 2005, a Cidade do México vem investindo em BRT; hoje, conta com cinco corredores, que somam 105 quilômetros e levam 900 mil passageiros por dia. Mesmo nos Estados Unidos, onde 95% do deslocamento motorizado urbano é por automóvel, a extensão de corredores ultrapassa 550 quilômetros.

Uma cidade com um sistema multimodal de transporte urbano bem concebido, implantado, operado e controlado é capaz de diminuir a dependência de seus habitantes dos veículos motorizados privados. Importante destacar que uma rede eficiente de BRT, composta de vários corredores em plena operação, enfrenta, durante o processo de implantação, barreiras impostas por inúmeros atores e seus interesses conflitantes. Porém, o transporte coletivo sobre pneus, com sua inerente flexibilidade e a alta competitividade proporcionada pelas faixas exclusivas, apresenta-se como um componente essencial do sistema de mobilidade.

Luis Antonio Lindau é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Da ilha para o continente

08/05/2015 - Exame, Especial Imóveis

Em Florianópolis, os lançamentos diminuíram porque estão migrando cada vez mais da ilha para o continente. Das quase 2.000 unidades ofertadas na região em 2014, dois terços ficavam em Palhoça e São José. Enquanto o preço médio do metro quadrado de imóveis novos é de 6.100 reais em Florianópolis, em São José não chega a 4.000 reais e em Palhoça é de 3.100 reais. Outras cidades do litoral, no entanto, estão ficando tão caras quanto a capital. Em Itapema, o metro quadrado de imóveis novos à beira-mar sai por 12.000 reais, o equivalente ao que se paga em bairros paulistanos, como Vila Madalena e Perdizes. 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Caderno de referência para elaborar plano de mobilidade urbana é disponibilizado

07/05/2015 - CicloVivo

Para auxiliar as cidades na construção de seus planos de mobilidade, o Ministério das Cidades está disponibilizando uma versão atualizada com base na Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012). Contrapondo o caderno anterior, de 2007, o novo documento prioriza menos emissões de gases de efeito estufa e poluentes locais, menos automóveis nas ruas, em suma, um melhor lugar para se viver.

Voltado para técnicos e gestores públicos que atuam diretamente com as questões de mobilidade urbana nas administrações municipais ou estaduais, a primeira parte do caderno faz uma breve apresentação do documento. Em seguida, é feita uma introdução ao que é o Ministério das Cidades, a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana e ao PAC.

Terceiro capítulo detalha a política de mobilidade instituída em 2012, orientando o que se espera da gestão dos estados e execução dos planos de mobilidade. A parte seguinte apresenta as principais características e os tipos de transportes não motorizados e motorizados (privado e coletivo). Interessante neste capítulo é a listagem de alguns conceitos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para se planejar um município com foco no pedestre e no ciclista.

O caderno também destaca a importância do papel do sistema viário no planejamento de uma cidade sustentável, que considera as diferentes características das viagens, os diversos tipos de vias e a integração entre os modos de transporte.

O quinto capítulo aborda as questões ambientais a cerca do tema. Nesta parte são indicadas as considerações mundiais sobre a responsabilidade do setor de transporte nas crescentes emissões de poluentes e, consequentemente, um dos causadores do aquecimento global. São contrapostos alguns pontos de vista tradicionais versus atuais sobre como as cidades devem atuar para melhorar a mobilidade urbana.

Tendo base em todos os itens acima, que estão detalhados no caderno de referência, os capítulos seguintes ajudam os gestores a formatar um planejamento urbano eficiente em conformidade com o Plano Diretor, diferenças regionais e culturais, aspectos socioeconômicos, entre outras coisas.

O sétimo capítulo, por exemplo, apresenta todos os itens necessários para montar a estrutura e o conteúdo do plano de mobilidade e, por fim, o oitavo apresenta o passo a passo do processo de construção do plano. Para baixar o caderno, clique aqui.