quarta-feira, 8 de março de 2017

Terras nas mãos de estrangeiros somam um Estado de Alagoas

07/03/2017 - Valor Econômico

Ainda envolta em um nevoeiro de indefinições, a regulamentação da compra de terras por estrangeiros no país é encarada pelo governo e por parte do agronegócio brasileiro como algo capaz de gerar bilhões em investimentos no setor. Mas, ainda que gere grandes expectativas positivas entre seus defensores e muita preocupação entre os opositores, apenas a mudança regulatória não é garantia de que a porção do território nacional nas mãos de investidores de fora aumentará a olhos vistos ou em ritmo acelerado.

Conforme levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a área ocupada por estrangeiros em zonas rurais brasileiras (que incluem locais não agricultáveis) soma 2,81 milhões de hectares, um pouco maior que a do Estado de Alagoas, mas equivalente a apenas 1% da extensão total ocupada por atividades agropecuárias Brasil. O levantamento inclui propriedades em zonas rurais em geral, não apenas aquelas dedicadas à agropecuária, e espelha sobretudo uma situação estabelecida antes das travas estabelecidas pela Advocacia Geral da União (AGU), em 2010.

Dessa área detida por estrangeiros, 31% estão no Centro-Oeste, que lidera a produção de grãos no país. E na região, de acordo com o levantamento, os portugueses representam 79% dos investidores de outros países em terras. Os portugueses, por sinal, ainda têm cerca de um quarto das terras em mãos de estrangeiros em todo o Brasil, seguidos pelos japoneses, com uma fatia de 12,9% - em parte ampliada pelo Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), estabelecido na década de 1970 pelos governos dos dois países para incentivar a produção de alimentos no bioma.

Os investimentos de pessoas jurídicas estrangeiras em terras brasileiras estão mais presentes no Sudeste, que puxa a produção brasileira de culturas como cana, café e laranja. No total detido por empresas de fora no país - 631 mil hectares, conforme o Incra -, 46% estão nessa região. Vale ressaltar que, conforme o levantamento, a maior parte das pessoas jurídicas com capital estrangeiro que faz parte dessa lista tem CNPJ brasileiro.

Diante desse breve raio-X (ver infográfico), de fato o potencial de expansão dos investimentos estrangeiros em terras no país, uma vez definidas as regras para tal (ver Contexto), parece ser bastante expressivo, embora a maior parte dos analistas e corretores que acompanham o mercado de terras no Brasil encare qualquer cálculo com ceticismo neste momento. Não é para menos. Enquanto avaliações privadas ventiladas até agora citam um potencial de investimentos de R$ 20 bilhões a R$ 50 bilhões, o governo já indicou que prevê a entrada de até R$ 72 bilhões apenas nos dois primeiros anos.

Se a avaliação do governo se confirmar, os novos investidores conseguiriam adquirir mais de 3 milhões de hectares em Sorriso (MT), por exemplo, considerando os atuais preços das terras na região - pouco menos de R$ 23 mil o hectare, conforme a consultoria FNP Informa Economics. Ou seja, mesmo se investissem apenas nessa área valorizada os estrangeiros mais do que dobrariam sua presença em território brasileiro e passariam a deter uma área maior que a do Estado da Paraíba.

Mas é apenas um exemplo, já que certamente haverá restrições para coibir "invasões" do gênero. E também é preciso levar em conta que as atuais barreiras aos estrangeiros não impedem apenas investimentos em ativos agropecuários. Envolvem também empreendimentos imobiliários, mineração e mesmo segmentos industriais.

Apesar de alguns observadores projetarem uma inundação de aportes estrangeiros a partir da liberação, em um primeiro momento talvez o movimento não se reflita em preços. Segundo Marcio Perin, analista da FNP Informa Economics, entre o primeiro e o segundo ano após a mudança regulatória, o impacto no mercado poderá ser basicamente na liquidez, que anda muito baixa.

"Todos sabem que o mercado está com muitos produtores endividados e alavancados, precisando vender terras", afirma. O recente ciclo de baixa das cotações das commodities - que começou a ser revertido no ano passado, mas ainda não teve reflexos nos preços das terras -, ajudou a reduzir os ganhos dos produtores. Nesse cenário, alguns produtores chegar inclusive a pedir proteção judicial contra seus credores.

Segundo Perin, há algum tempo o mercado adotou como premissa que a liberação dos investimentos estrangeiros em terras no país acontecerá neste primeiro semestre, mas mesmo assim até agora não houve reação dos preços. "Se a liberação não acontecer em 2017, os preços poderão até cair". Para ele, uma reação nos preços só ocorrerá se houver segurança política e jurídica e se as commodities não estiverem em baixa - e isso apenas no médio prazo.

Mas mesmo só uma injeção de liquidez já daria uma boa mexida no mercado de terras, que no ano passado ficou às moscas. Aloisio Feres Barinotti, CEO da NAI Commercial Properties (corretora com foco no agronegócio), avalia que o volume de vendas poderia crescer entre 40% e 50% sobre os patamares considerados "normais" - como o de 2015, quando a empresa negociou 147 mil hectares, por R$ 655 milhões.

O potencial de investimentos, porém, dependerá das restrições que serão impostas - como costuma acontecer em todos os países com relevante produção agropecuária. Já defendida pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, cuja família controla a maior trading de grãos de capital nacional (Amaggi), o estabelecimento de uma trava à aquisição de terras onde são plantadas culturas anuais como soja, milho e algodão poderá ser fundamental para a definição das estratégias estrangeiras.

"Se colocar essa limitação, praticamente mata o mercado. Sobrariam poucas opções, apenas em eucalipto, laranja, café e outras culturas menores", afirma Perin. Outra alternativa seria a aquisição de terrenos hoje ocupados por pastagens, mas em geral os estrangeiros têm interesse em converter esses terrenos em lavouras de grãos, o que poderia ser proibido pelas novas regras.

Segundo o analista, a taxa de retorno da pecuária alcança no máximo 10% ao ano e não é suficiente para atrair capital estrangeiro, enquanto uma conversão de pastagem em lavouras de grãos levaria a taxa de retorno para 20% ou 30% ao ano após uma década de atividade.

Um segmento que poderia passar livre dessa limitação seria o de florestas, justamente um dos principais defensores da liberação. Nesse caso, o receio é com uma restrição à extensão a ser adquirida pelo investidor. "Com uma área de aproximadamente 8 milhões de hectares, a plantação de pinus e eucalipto para fins produtivos - cujo ciclo de plantação e colheita leva sete anos -- requer área extensa", diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

O câmbio pode ser outro fator limitador para a entrada de capital estrangeiro nas terras brasileiras. O americano Kory Melby, consultor agrícola baseado em Goiás, avalia que pelo patamar atual do dólar, de R$ 3, "o Brasil fica muito caro para qualquer retorno de investimento". Para Melby, um dólar acima de R$ 3,50 já se torna mais atrativo, "assumindo que não haja restrições".

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Havan inaugura a segunda loja em Foz e a 95ª da rede

11/02/2017 - Rádio Cultura

A rede de lojas de departamento Havan, inaugurou na manhã deste sábado (11) a segunda loja em Foz do Iguaçu, com a presença do empresário Luciano Hang, proprietário da marca. No primeiro piso do Shopping Catuaí Palladium, no mais importantes corredor turístico da cidade, a loja de 4 mil metros quadrados, entrou em operação empregando 200 funcionários. Em 2007, a primeira unidade da Havan em Foz foi inaugurada no Cataratas JL Shopping.

A loja inaugurada neste final de semana, é a primeira do ano, sendo a 95ª unidade da rede, presente em 14 estados brasileiros: Bahia, Espirito Santo, Goias, Minas Gerais, Mato Grosso Do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio De Janeiro, Rondonia, Santa Catarina, Sao Paulo, Tocantins. A primeira loja Havan foi aberta na cidade catarinense de Brusque, 1986, vendendo tecidos. Com a abertura do mercado de importados no Brasil, Hang viu a oportunidade de ampliar os negócios.

O objetivo do empresário é contar com 200 lojas no país, abrindo cem já nos próximos cinco anos. Este ano a rede deve abrir mais 11 unidade, que Hang faz questão de chamar de Megaloja.

As portas da nova Havan de Foz do Iguaçu abriam às 11h, após uma festa promovida entre Luciano Hang e a nova equipe de funcionários. Sobre o que levou a abertura de uma segunda loja na cidade, o empresário ressalta a importância de estar perto do cliente. Hang ainda destacou, o potencial consumidor da região trinacional, com compristas brasileiros, argentinos e paraguaios.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

João Dória x Pichadores de São Paulo

JOÃO DÓRIA X PICHADORES DE SÃO PAULO
por Loryel Rocha
Extraído do Facebook em 01/02/2017

A ignorância brasileira é formidável e inigualável.

O atual prefeito de São Paulo encetou um combate aos pixadores atraindo para si a crítica ferina de uma legião de esquerdopatas e de pensadores de "direita". O que está por trás da atitude higienizadora de Dória? Como não o conheço não posso afirmar que o que direi é o que move o prefeito, mas, de toda feita, sendo ou não, o que direi abaixo vale mesmo que não seja esse o motivo principal.

Oras, as cidades brasileiras, em sua imensa maioria são um LIXO a céu aberto, são FEIAS, GROTESTAS, com prédios e arquitetura CHINFRIM, compondo um ambiente de POBREZA, de FEIURA. Excetuando-se a beleza das cidades coloniais e, mesmo assim, com ressalvas, o Brasil, tem como marca urbana a DESORDEM, A BARANGUICE, A FEALDADE, O DESLEIXO. E essa HORROROSIDADE é tão ampla e disseminada por toda a trajetória da REPÚBLICA que não se trata de mera casualidade: a FEIÚRA no Brasil é um projeto político. O cenário urbanístico do Brasil remete ao Apocalipse. O contraste da natureza exuberante com o traçado urbanístico das cidades salta à vista. Todos os brasileiros quando viajam ao exterior impressionam-se com a ORDEM, a CULTURA, a LIMPEZA e a BELEZA das cidades.

Há quase 20 anos atrás falava aos meus alunos de Arquitetura sobre a teoria desenvolvida na França chamada "ESTETICISTAS DE CIDADES" que é tão somente a intervenção da restauração do conceito de BELO no plano urbanístico. Sabe-se de há muito que FEIÚRA chama FEIÚRA, CAOS chama CAOS. Um exemplo disso é a "Teoria das Janelas Quebradas", desenvolvida na escola de Chicago por James Q. Wilson e George Kelling, explica exatamente isso, ou seja, se uma janela de um edifício for quebrada e não for reparada a tendência é que vândalos passem a arremessar pedras nas outras janelas e posteriormente passem a ocupar o edifício e destruí-lo. O que quer dizer que a desordem gera desordem, que um comportamento anti-social pode dar origem a vários delitos. Por isso, qualquer ato desordeiro, por mais que pareça insignificante, deve ser reprimido. Do contrário, pode ser difusor de inúmeros outros crimes mais graves. Essa foi a base teórica para o prefeito de New York Rodolph Giuliani aplicar o programa de "Tolerância zero".

É exatamente essa teoria que Dória está aplicando em São Paulo: recuperar a BELEZA e, com ela a ORDEM. O psiquismo humano se DESESTRUTURA com a FEIÚRA, como MAL, com o CAOS. É preciso sim, colocar na cadeia gente que ENFEIA o mundo, que o EMPORCALHA, que o transforma numa LATRINA.

O pensamento comunista-socialista-gramsciano instaurou no mundo a apologia da FEIÚRA, do MAL. Não sem razão esquerdistas tem sempre um AR de gente SUJA, que não toma banho, DESGRENHADO, .... São a encarnação do MAL. É preciso conhecer as bases teóricas MESSIÂNICAS do comunismo para entender o papel desse MAL em demanda contínua contra o BEM, o BOM e o BELO.

Os palácios e monumentos sacros antigos são estremamente sofisticados não por mero pedantismo ou esbanjamento, mas, sim, porque havia o exato entendimento que a Casa do Monarca (representante de Deus na Terra) e a Casa de Deus devem ser exemplos em si da própria BELEZA DIVINA.

Hoje, o rico, a classe média e os pobres são FEIOS, BARANGAS, SUJOS e INCULTOS. O reino das QUALIDADES inexiste mais e com ele o mundo chafurda na mais absoluta lama que como areia movediça a cada movimento faz afundar mais a sociedade rumo ao abismo.

Os sentidos são fonte de CONHECIMENTO e de ESPIRITUALIDADE. É preciso VER o BELO para poder AMÁ-LO de modo CORPÓREO e INCORPÓREO. Urge restaurar a BELEZA no mundo e com ela toda a ESPIRITUALIDADE que encarna.




Abrasce estima inauguração de 30 shopping centers neste ano no País

31/01/2017 - A Tarde

Circe Bonatelli

Os empresários do setor de shopping centers devem inaugurar 30 unidades em 2017, totalizando 588 centros de compras em operação no País até o fim deste ano, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

A abertura dos novos empreendimentos mesmo em meio à crise econômica decorre da retomada de projetos que já foram postergados nos anos anteriores, além da identificação de oportunidades de investimentos em cidades onde a economia permanece resiliente ao cenário adverso, segundo explicações do presidente da Abrasce, Glauco Humai. Em 2016, a associação previa a abertura de 30 empreendimentos, mas apenas 20 foram abertos, de fato.

"O shopping center é um empreendimento grande, que exige um planejamento longo, que pode levar mais de três ou cinco anos. Parte dos novos shoppings foram planejados em anos anteriores ao da crise ou acabaram adiados", disse Humai. "A outra parte será aberta porque o Brasil continua sendo uma terra de oportunidades. Ainda há cidades carentes de um shopping, ou que têm uma economia forte", completou, citando como exemplo municípios onde há forte atividade agropecuária.

Dos 30 shoppings previstos para 2017, 80% estarão localizados em cidades do interior do País, sendo 77% em municípios de até 500 mil habitantes. Neste ano, 13 cidades receberão o primeiro shopping center, como são os casos de Três Lagoas (MS), Camaragibe (PE), Ananindeua (PA) e Paragominas (PA).

Humai admite que os shoppings inaugurados há menos de 24 meses têm uma vacância acima da média do portfólio total, que está em 4,6%. No entanto, ele considera o patamar de espaços vagos em níveis ainda saudáveis. "A curva de ocupação dos novos shoppings é um pouco mais lenta em momento de crise. Com a melhora da economia, essa curva deve ficar menor", disse.

O presidente da Abrasce também procurou minimizar as dificuldades de atrair e manter lojistas nos shoppings. A renegociação de contratos e flexibilização dos aluguéis para combater a inadimplência dos lojistas é normal, na sua avaliação.

"À medida que a economia não dá sinais de melhora, ela (flexibilização dos pagamentos) vai continuar. Essa negociação sempre existiu e é salutar. Vai continuar acontecendo até chegar a um ponto de equilíbrio. Nós esperamos que a partir do terceiro trimestre, a economia vai melhorar", disse, referindo-se à expectativa de equilíbrio.

Tendências

A superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, avalia que uma das principais tendências do setor é o crescimento no número de outlets. "São shoppings especializados, que normalmente apresentam preços mais baixos do que os tradicionais, estão fora das capitais e atraem consumidores mais exigentes", disse. Em 2016, foram abertos cinco outlets e mais cinco estão previstos até 2019.

A segunda grande tendência são os complexos multiuso, que reúnem shoppings e prédios residenciais, empresariais e/ou hotéis. "É uma relação de simbiose. O shopping gera conveniência para os prédios, que, por sua vez, geram fluxo de visitantes aos shoppings", disse Adriana.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Praia Grande completa 50 anos; conheça a história da cidade

19/01/2017 - G1

Município celebra aniversário de emancipação nesta quinta-feira (19).
Prefeito Alberto Mourão (PSDB) atribui crescimento a planejamento.

Vista aérea da praia do Boqueirão na época da emancipação  (Foto: Arquivo )
Vista aérea da praia do Boqueirão na época da emancipação  (Foto: Arquivo )

O município de Praia Grande, no litoral de São Paulo, completa, nesta quinta-feira (19), 50 anos de emancipação político-administrativa. Antes disso, as terras pertenciam à vizinha São Vicente. Ao longo dos anos, no entanto, a cidade viveu um grande período de transformação e foi, de balneário que muitos visitavam só por um dia, ao município de grandes construções e a um dos destinos mais procurados do país.

A história e os investimentos fizeram com que o cenário mudasse de maneira rápida trazendo o desenvolvimento. Na década de 1990 eram 125 mil habitantes. Hoje, o número saltou para 340 mil. As escolas municipais tinham menos de 4 mil alunos e, agora, são 51 mil. Os idosos adotaram Praia Grande como lar. Cerca de 11% dos moradores têm mais que 60 anos.

Área rural deu lugar aos prédios e ajudaram no crescimento de Praia Grande (Foto: Marcelo Guedes/Prefeitura de Praia Grande)
Área rural deu lugar aos prédios e ajudaram no crescimento de Praia Grande (Foto: Marcelo Guedes/Prefeitura de Praia Grande)

O crescimento e a construção civil estão a todo vapor. Mesmo com 62% da área reservada à proteção ambiental, os investimentos e obras de infraestrutura não param. Em 2004 o município inaugurou uma Via Expressa com 21 viadutos, uma maneira de atravessar a cidade inteira sem parar em nenhum semáforo e também importante estrada de interligação com as principais rodovias da região.

Para se ter uma ideia de como mudanças ocorreram ao longo dos anos, a Associação Comercial de Praia Grande antes era Associação Agrícola Comercial. Isso porque no lugar dos prédios que atualmente identificam a área urbana, existia uma área rural, onde era produzido arroz, abacaxi e banana.

Carros estacionados em ruas, ainda de areia, do Boqueirão, em meados de 1980 (Foto: Arquivo)
Carros estacionados em ruas, ainda de areia, do Boqueirão, em meados de 1980 (Foto: Arquivo)

O que continua igual, no entanto, é a bela vista do mar. Mas, para manter a qualidade de vida da população, o prefeito Alberto Mourão (PSDB), que ocupa a cadeira de Chefe do Executivo pela quinta vez, destaca que é preciso olhar para o futuro e planejar para colher os frutos do desenvolvimento.

"Nós devemos chegar em 2024 com uma população em torno de 430 mil habitantes. E o grande desafio que a gente tem é como chegar lá nos próximos oito ou 10 anos sendo uma maior cidade em população com a mesma qualidade que nós conquistamos ao longo desses últimos 20 anos. Essa é a grande engenharia administrativa que fica deste governo para os próximos", salienta.

Praia Grande está entre os destinos mais procurados por turistas (Foto: Jairo-Marques/Prefeitura de Praia Grande)
Praia Grande está entre os destinos mais procurados(Foto: Jairo-Marques/Prefeitura de Praia Grande)

Praia Grande possui cerca de 82 km de ciclovia (Foto: Hebe Dorado/Arquivo Pessoal)
Praia Grande possui cerca de 82 km de ciclovia (Foto: Hebe Dorado/Arquivo Pessoal)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Arquiteto reúne histórias de cidades abandonadas: 'Só sobram o cemitério e a igreja

Carolina Cunha

10/01/2017 - UOL

Biribiri (MG) nasceu de uma extinta fábrica de tecidos no final do século 19; apenas quatro moradores ficaram e hoje é uma atração turística

As casas de Ararapira (PR) estão sendo lentamente engolidas pelo mar. Em Fordlândia (PA), as estruturas de piscinas, hotéis e uma serralheria desaparecem em meio à selva amazônica. Em Biribiri (MG), uma família passou anos tentando achar um comprador que desembolsasse US$ 1 milhão para adquirir uma vila histórica inteira. Na pacata Airão Velho (AM), cipós e árvores crescem sobre os escombros do século 18. 

Todas essas são histórias de cidades fantasmas brasileiras, mapeadas pelo arquiteto e urbanista Nestor Razente em seu livro "Povoações Abandonadas no Brasil". Na obra, o professor da Universidade de Londrina (PR) faz um levantamento inédito sobre oito cidades brasileiras que deixaram de existir entre os séculos 19 e 20.

Para o pesquisador, uma cidade passa a ser considerada fantasma quando não há registro de moradores ou há no máximo uma família. Mas a classificação não tem nada de sobrenatural. "Em vez de 'cidade fantasma', prefiro usar o termo 'povoação abandonada' para traduzir o fenômeno do desaparecimento da população."  

O que leva as pessoas a deixar esses locais? Segundo Razente, essa pergunta foi o ponto de partida para a pesquisa. "Num mundo cada vez mais urbanizado, como é possível existir uma cidade abandonada? Pesquisamos cidades brasileiras que desapareceram nos últimos dois séculos. Elas sumiram enquanto havia um fenômeno de urbanização acelerada." 

Esse processo histórico ainda é pouco estudado no Brasil. Enquanto no Brasil existem oito municípios fantasmas catalogados oficialmente, nos Estados Unidos os registros apontam para a existência de aproximadamente 900 cidades e vilas que desapareceram. 

O declínio econômico é o motivo mais comum. É o caso das cidades do Amazonas que viveram seu auge durante o Ciclo da Borracha (de 1879 a 1912) e daquelas que surgiram com o Ciclo do Ouro, fundadas por bandeirantes no interior do Brasil durante o século 18. 

Airão Velho, no Amazonas, foi abandonada por seus habitantes na década de 1950. Lendas contam que a fuga dos moradores ocorreu depois do ataque de formigas de fogo ou que teriam sido assombrados por fantasmas de índios escravizados.

A verdade é que o vilarejo viveu um período de prosperidade com a exploração do látex. "Quando a borracha sumiu, a cidade foi desaparecendo", explica o professor. Hoje o local possui um único morador, o imigrante japonês Shigeru Nakayama, que desde 2001 vive sozinho nessas terras. O guardião do local costuma cavar o chão em busca de velhos objetos, a partir dos quais montou um pequeno museu. 

Alex Albino

Fordlândia (PA) fracassou devido às condições inadequadas do plantio das seringueiras

A borracha também foi responsável pelo surgimento de Fordlândia, cidade norte-americana no meio da Amazônia. A vila foi criada no Pará em 1928 pelo empresário norte-americano Henry Ford, fundador da Ford Motor Company. Ele queria erguer uma fábrica de látex para abastecer a indústria automotiva e não mais depender da Inglaterra. Ford gastou milhões de dólares para projetar uma cidade típica americana com chalés de madeira, hospitais, cinema e até campos de golfe.

O empreendimento fracassou devido às condições inadequadas do plantio das seringueiras. Até que mais tarde, o mercado deu lugar à borracha sintética. Em 1950, após a falência da indústria, os moradores tiveram que abandonar o local, que foi incorporado ao município de Aveiro. Hoje as estruturas de Fordlândia estão cobertas pelo mato.

Desemboque (MG) surgiu como caminho de entrada para bandeirantes que buscavam ouro em Goiás. O vilarejo foi fundado em 1743, na encosta da serra da Canastra. Durante o século 18, ele se tornou o maior centro comercial e de mineração do Triângulo Mineiro.

Nos dias de glória, o local chegou a ter 1.500 habitantes. Tudo foi abandonado quando as minas de ouro acabaram. Os moradores migraram principalmente para a promissora Uberaba, cidade vizinha. "Uberaba lhe roubou os filhos e o comércio", diz o professor. 

O arraial de Ouro Fino, em Goiás, também foi fundado por bandeirantes à procura de metais preciosos. Ele foi imortalizado na música "Chico Mineiro", da dupla Tonico e Tinoco. A letra conta a história de um boiadeiro que foi assassinado durante uma Festa do Divino Espírito Santo. As festas religiosas, como a Folia de Reis, eram famosas em Ouro Fino.

Hoje fazem parte de um passado distante. Da antiga Igreja de Nossa Senhora do Pilar, restam apenas algumas paredes, feitas em taipa de pilão e que correm o risco de se deteriorar com as chuvas.

O arquiteto e urbanista Nestor Razente mapeou histórias de cidades fantasmas brasileiras em seu livro "Povoações Abandonadas no Brasil". Na obra, o professor da Universidade de Londrina faz um levantamento inédito sobre oito cidades brasileiras que deixaram de existir entre os séculos 19 e 20

Patrimônio e descaso

Embora algumas das cidades pesquisadas sejam tombadas como patrimônio histórico, a situação predominante é de descaso e abandono do poder público. "Em Airão Velho me mostraram uma bala de canhão e disseram que a Marinha brasileira usava as paredes da vila abandonada como alvo para tiros. O local é testemunha de um período importante da colonização portuguesa e do Ciclo da Borracha. Destruíram bastante a casa comercial principal. Praticamente tudo veio ao chão", lamenta Razente.

Nem sempre o abandono se transforma em ruínas. Em alguns casos, a cidade está renascendo pelo turismo. É o caso de Biribiri. Nascida de uma extinta fábrica de tecidos no final do século 19, a cidadezinha do Vale do Jequitinhonha chegou a ter 1.200 habitantes. Em 1973, a empresa não resistiu ao alto custo da produção e fechou as portas. A família Mascarenhas, dona da fábrica, preservou o casario e as cores azul e branco das fachadas. Residências de operários, escola, barbearia, o galpão da fábrica e a igreja do Sagrado Coração de Jesus se mantêm intactos, tombados como patrimônio histórico.

Os herdeiros já tentaram arrendar a vila inteira. Teve até anúncio nos classificados de jornais, mas ninguém quis comprar o terreno milionário. Os imóveis foram vendidos separadamente e, com o tempo, Biribiri começou a atrair turistas em busca de um refúgio bucólico. Hoje o local tem pousada, restaurante e aguarda a construção de um museu, um hotel e uma vinícola. 

Também viraram ponto turístico as casinhas vazias de Ararapira, no litoral do Paraná. O acesso é feito somente por barco. No passado, o local foi um próspero entreposto comercial. A construção de um canal para dar acesso ao porto de Paranaguá, nos anos 1950, mudou definitivamente o nível da água do mar, afetando a pesca e alagando casas.

O urbanista Nestor Razente lança livro sobre as cidades abandonadas

Para completar o processo, a criação do Parque Nacional do Superagui transformou a região numa área de proteção ambiental e impediu qualquer atividade produtiva. A igreja de São José, construída no fim do século 19, ainda conserva os bancos de madeira e as imagens no altar. Mas, se a água subir ainda mais, tudo pode desaparecer. 

A pesquisa do arquiteto revelou uma 

curiosidade presente em praticamente todas as cidades pesquisadas. "A igreja e o cemitério foram as únicas construções que resistiram ao tempo e à depredação", diz Razente. 

O que sobrou foi aquilo que é considerado sagrado. A força da crença religiosa e o respeito aos mortos são capazes de perpetuar a inquietude diante das ruínas

Nestor Razente, autor de livro

O cemitério de Ararapira ainda se encontra em funcionamento, sendo visitado pelos ex-moradores no Dia de Finados. Nessa data, os túmulos costumam ser limpos e recebem flores. Muitos fazem questão de serem sepultados onde nasceram. Em Cococi (CE), a tradição da novena religiosa dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do ex-município, continua firme. A romaria atrai centenas de moradores de comunidades próximas, que lotam uma igreja construída em 1778.

No sertão do Inhamuns, a 400 km de Fortaleza, ficam as ruínas de Cococi. Em meio à paisagem de pedras e espinhos da caatinga, restam a igrejinha, o cemitério, a sede da prefeitura e o palacete da família Feitosa, oligarquia da região. Seu abandono aconteceu na década de 1960.

O problema foi político. Uma denúncia ao governo federal levou o prefeito para a Justiça. Segundo o inquérito, todos os moradores trabalhavam para os Feitosa e os políticos também pertenciam à numerosa família. O governo entendeu que ali funcionava uma fazenda que se passava por cidade. A verba pública foi cortada, e o falso município, extinto. Revoltado, o prefeito se mudou para a cidade vizinha, convenceu os moradores a irem com ele e conseguiu se reeleger. Hoje apenas duas famílias de agricultores vivem na área, que pertence ao município de Parambu. 

Para o arquiteto, o abandono dessas cidades foi uma questão de sobrevivência. Mas ele lamenta que, quando uma povoação suma do mapa, suas histórias também desapareçam. "Mesmo eu não sendo um morador, o abandono abate a gente e começo a ter saudades do que não vivi. Até onde conseguimos explicar como tudo veio abaixo? Quantas riquezas foram produzidas, a ruína econômica de alguns, a escravatura de outros. No entanto tudo voltou a ser nada ou se transformou em natureza, que reclama seu lugar de volta."